Pesquisadores de RO avaliam novo remédio liberado pela Anvisa para tratar a malária

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Objetivo é verificar a viabilidade do uso do medicamento na população. Novidade pode reduzir o tempo de tratamento e ajudar no controle e eliminação da doença.

 

Por Priciele Venturini, Rede Amazônica

Mosquito Anopheles stephensi é vetor da malária. — Foto: Jim Gathany/CDC/Reuters

 

Um medicamento que pode acelerar o tratamento contra a malária foi aprovado pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). Nos próximos meses, um estudo será realizado em Porto Velho e Manaus (AM) com objetivo de verificar a viabilidade do uso do remédio.

A novidade pode reduzir o tempo de tratamento e ajudar no controle e eliminação da doença. Esse é o primeiro registro em cerca de 60 anos.

O tratamento contra a malária dura até duas semanas, mas muitos pacientes acabam abandonando a medicação assim que sentem que os sintomas desaparecem. Nos casos em que o parasita ainda não foi totalmente eliminado, o paciente pode apresentar a chamada recaída, mesmo que não tenha sido picado pelo mosquito transmissor novamente.

Entre os sintomas da malária estão:

  • Febre alta;
  • Calafrios;
  • Tremores;
  • Sudorese e;
  • Dor de cabeça.

A chamada “tafenoquina”, por exemplo, que pode chegar no Brasil com nome de Kozenis, tem dose única e poderá ser utilizada em pacientes que não tenham deficiência da enzima G6PD – o déficit dessa enzima pode levar a reações graves, ligadas à destruição dos glóbulos vermelhos.

A droga é a primeira aprovada em seis décadas para o tratamento da malária vivax, que faz no mundo cerca de 7,5 milhões de vítimas todos os anos e é o principal tipo registrado no Brasil. Pelo menos 99% dos pacientes estão na Amazônia. Apenas este ano, de janeiro a agosto, a região notificou 87 mil novos casos.

Nos laboratórios do Centro de Pesquisa em Medicina Tropical (Cepem), Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) e Centro de Medicina Tropical de Rondônia (Cemetron), em Rondôna, pesquisadores estão envolvidos na pesquisa da Tafenoquina.

“A tafenoquina foi um medicamento desenvolvido há 30 anos e que nos últimos 10 anos ela, em parceria com a MMV, desenvolveu a fase clínica 2 e 3 onde Porto Velho e Manaus foram as duas cidades brasileiras que participaram desse movimento. Ela vem ser uma alternativa para a primaquina, que é uma droga usada para o tratamento da malária da forma hepática, que fica escondida e que é responsável pelas recaídas da malária vivax. A primaquina é uma droga que se usa em uma forma de sete, 14 dias de tratamento e a grande vantagem da tafenoquina é que pode ser usada em dose única e que melhora a adesão desse tratamento”, explicou Dhélio Batista Pereira, médico especialista em medicina tropical.

Nos próximos meses, o Ministério da Saúde e a organização não-governamental Medicines for Malaria Venture (MMV) conduzirão um estudo em Porto Velho e em Manaus para verificar a viabilidade do uso do medicamento em áreas endêmicas.

A pesquisa também vai avaliar a viabilidade do teste para a enzima G6PD por meio de um aparelho portátil, que analisa uma gota de sangue e dá o resultado em menos de dois minutos. O levantamento final pode mudar em poucos anos as diretrizes para o tratamento de malária no país, que é só feito pelo Sistema Único de Saúde (SUS).