Vasco faz nova campanha contra homofobia no futebol em mês de Orgulho LGBTQIAP+

Publicada em


Foto: Divulgação

 

Design das bandeirinhas para o jogo contra o Cuiabá (26/06) foi definido por torcedores em votação no aplicativo Socios.com 

 

Glórias, lutas e vitórias. Esta é a história do Vasco da Gama, pioneiro no Brasil e no mundo a se posicionar oficialmente contra o racismo e preconceito de classes. Em 1923, o clube conquistava seu primeiro título de campeão carioca com um time repleto de jogadores negros, pardos e operários e que ficou conhecido na história do futebol brasileiro como Camisas Negras. Mas infelizmente, no ano seguinte, os times adversários, incomodados com o sucesso vascaíno, decidiram criar uma nova liga e obrigaram o Vasco a expulsar 12 de seus atletas para que o clube pudesse então participar do novo campeonato.  

 

O Vasco recusou firmemente aceitar tal condição e publicou a memorável “Resposta Histórica”, uma resposta oficial do clube que denunciava o racismo da aristocracia carioca do início do século XX. O Gigante da Colina então passou a disputar partidas contra equipes menores do Rio de Janeiro, o que popularizou o time entre as massas cariocas. E para não se curvar ao elitismo, o clube decidiu construir seu próprio estádio através de uma grande campanha de arrecadação de recursos. São Januário foi erguido em 1927 graças aos próprios vascaínos. 

 

Quase 100 anos depois, em 2021, o time foi mais uma vez pioneiro e lançou um manifesto em apoio à comunidade LGBTQIAP+. Além de reconhecer oficialmente o coletivo LGBT do clube, a equipe ainda entrou em campo com o uniforme que substituiu a faixa diagonal que cruza a camisa, com as cores do arco-íris. 

 

Agora em 2023, com diversas ações, o clube mais uma vez se posiciona contra o preconceito e a discriminação. Na partida de hoje (26) contra o Cuiabá, válida pela 12ª rodada do Campeonato Brasileiro Série A de 2023, as bandeirinhas de escanteio serão uma das homenagens ao mês do Orgulho LGBTQIAP+. Elas vão conter desenhos escolhidos por torcedores que participaram de uma votação no aplicativo Socios.com, a plataforma criadora do Fan Token oficial do Vasco. 

 

A Socios.com é a maior plataforma de engajamento e recompensas de fãs via blockchain no mundo e lançou o Fan Token oficial do Vasco ($VASCO) em setembro de 2022. De lá para cá, muitos torcedores puderam resgatar experiências exclusivas com jogadores do time e participar de votações internas do clube, como a da escolha do design da bandeirinha.  

 

Segundo João Pedro Novochadlo, head de marketing da Socios.com no Brasil, a iniciativa do Vasco da Gama em parceria com a plataforma é um grande exemplo de como os Fan Tokens de utilidade e a tecnologia Web3 podem ajudar a engajar comunidades através do esporte.  



“Para nós é super importante poder também fazer parte desse movimento e, através de nossas comunidades, promover um esporte mais diverso e inclusivo. A ideia da Web3 é exatamente dar cada vez mais voz às comunidades e engajar os fãs e torcedores do esporte em uma construção conjunta com o clube, gerando senso de pertencimento e colaboração. No Dia Internacional do Orgulho LGBTQIAP+, a Socios.com e o Vasco estarão juntos dando voz a toda a comunidade e reforçando que o esporte é para todes”, declarou Novochadlo. 

 

Dois dias após a partida, 28 de junho, Dia Mundial do Orgulho LGBTQIAP+, a Socios.com vai disponibilizar o resgate de uma das bandeirinhas do jogo contra o Cuiabá para um detentor do Fan Token do clube e sorteará outra entre os torcedores que votaram na opção de desenho vencedora.  

 

Para participar da campanha, votar no design da bandeirinha ou resgatar uma unidade da edição limitada que será colocada em leilão reverso na plataforma, será preciso cadastrar-se no aplicativo e ter pelo menos um Fan Token oficial do Vasco. O app da Socios.com está disponível para download na Apple Store e Google Play. 

  

Vasco tem história de lutas 

 

Desde sua fundação, o Vasco da Gama sempre se posicionou contra todos os tipos de preconceitos, sendo o único grande carioca que não saiu da elite, e sim da região portuária do Rio de Janeiro. Em 1923, o time estreou na primeira divisão do futebol carioca com um elenco repleto de jogadores suburbanos, muitos deles negros, analfabetos e trabalhadores braçais, conhecidos na história do futebol brasileiro como Camisas Negras. Na época, o futebol era um esporte de elite e os outros clubes cariocas aceitavam apenas jogadores brancos, descendentes de ingleses e acadêmicos. Mesmo assim, o Vasco se consagrou campeão e provocou a ira da aristocracia do Rio de Janeiro. 

 

Incomodados com o sucesso do Vasco, os rivais fundaram uma nova liga no ano seguinte, a Associação Metropolitana de Esportes Athleticos. E a condição para o Gigante da Colina participar era a exclusão de 12 jogadores que, segundo os cartolas, “não apresentavam condições sociais apropriadas para o convívio esportivo”. 

 

A diretoria do Vasco, que já havia feito história tendo o primeiro presidente negro de um clube no Brasil em 1905 (Candido José de Araújo), se recusou a aceitar o pedido racista e elitista de exclusão de seus jogadores para fazer parte do grupo dos grandes clubes do Rio. A decisão fez o Vasco se popularizar no Rio de Janeiro e a identificação da torcida com o time ajudou o Vasco a trazer multidões aos estádios, o que obrigou os outros times da cidade a aceitarem o clube novamente em 1925. 

 

 

 

Fonte: Lucas Palma