Vexame: Rondônia tem a pior queda do Brasil em voos e Acre decola em assentos

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Aeroporto Governador Jorge Teixeira em Porto Velho, RO.

 

  • Década fecha com −56% de voos e −46,5% assentos; Acre cresce 7,1% em assentos; Instituto Escudo Coletivo analisou os dados.

 

Rondônia ocupa a lanterna do país na oferta aérea. Em dez anos, o estado despencou de 6.017 para 2.650 voos domésticos (−56,0%) e de 788.158 para 421.626 assentos (−46,5%). O quadro contrasta com o Brasil, que em 2025 soma 784.696 voos e 126,5 milhões de assentos — praticamente empatado com os 128,5 milhões de 2015 graças a aviões com mais lugares. Os números, baseados em uma década, são do estudo da ForwardKeys divulgado nesta semana pelo site especializado em turismo, PanRotas.

 

Acre e Roraima decolam

A partir das tabelas do estudo, o Instituto de Defesa da Coletividade Escudo Coletivo analisou os dados e apresentou comparações. O contraste é claro: Rondônia registrou a pior queda do Brasil em voos e assentos. Na oferta de assentos, Alagoas, São Paulo, Pernambuco, Paraíba, Acre, Roraima e outros avançaram, mas Rondônia andou para trás — a distância entre AL (+47,4%) e RO (−46,5%) é um abismo de 94 pontos percentuais. No estado vizinho, Acre, os assentos subiram 23.617 no período, saltando 7,1%. Também na Região Norte, Roraima teve incremento de 16% de assentos no mesmo período.



 

Análise

“Não estamos diante de uma simples flutuação de mercado. O que ocorre em Rondônia é resultado de escolhas deliberadas das empresas de aviação, que decidiram cortar voos justamente aqui. Rondônia foi colocada de lado, e todos nós sentimos isso na pele: passagens mais caras, menos opções e viagens cada vez mais longas. É exclusão regional disfarçada de lógica de mercado”, afirmou Carlos Eduardo Macedo, estudante de Direito, após analisar os dados do estudo como voluntário do Instituto.

 

O recuo em voos e assentos se traduz em preços mais altos, menos horários e mais conexões, afetando trabalho, saúde e o desenvolvimento do Estado.

“Rondônia não é destino de segunda classe. Dado não é opinião: com o Brasil reequilibrado em assentos e Rondônia no fundo do poço, estamos diante de um caso de exclusão que exige resposta firme das autoridades”, afirma Gabriel Tomasete, presidente da entidade.

 

Próximos passos

O Escudo Coletivo encaminhará este comparativo a órgãos de controle e ao Judiciário, pedindo metas de oferta mínima, transparência de custos, cronograma de recomposição de voos e fiscalização ativa.

 

 

 

Fonte: Escudo Coletivo – Instituto de Defesa da Coletividade